• Maite Schneider

Por que as empresas precisam olhar para diversidade na cadeia de valor?

Atualizado: 15 de abr.

Dicas práticas para expandir as ações de inclusão e diversidade dentro de sua organização independente do ramo de atividade ou número de colaboradores



Quando se fala em inclusão da diversidade de pessoas nas empresas, geralmente todos os esforços são dirigidos para o aumento da representatividade de diferentes grupos populacionais no interior da companhia e seus espaços de decisão internos.


A empregabilidade é somente um dos muitos modos de criar-se culturas organizacionais mais inclusivas e potentes.


Porém, pouco se considera o papel da área de compras e a importância de se inserir a Cadeia de Valor nesses processos. Infelizmente, essa lacuna entre o que entendemos como inclusão dessa diversidade e a possibilidade de ampliar os benefícios para quem presta serviços e / ou oferece produtos para a empresa acaba reproduzindo práticas de exclusão e iniquidade.


Não é novidade que a chamada “explosão recente do empreendedorismo” decorre da necessidade tanto de gerar oportunidades econômicas para quem ficou de fora dos sistemas tradicionais de emprego, quanto para quem já não se sente confortável com as dinâmicas e as estruturas oferecidas pelas empresas. E quem são essas pessoas e grupos empreendedores? Geralmente são pessoas talentosas, individual ou coletivamente e muitas vezes com grande experiência, que não encontram espaço ou não querem fazer parte de estruturas empresariais rígidas, desatualizadas e burocráticas para poderem oferecer seus serviços e produtos.


Dentro dessa gama de novas e novos provedores, há um grande número de pessoas pertencentes a grupos sub-representados, como: mulheres, mães, LGBTIQ +, pessoas com deficiência, pessoas negras e indígenas, maiores de 50 anos, imigrantes e refugiades, etc. que têm todas as condições para prestar um serviço de excelência mas, ao negociar com as empresas, são excluídas por procedimentos burocráticos e exigências extremamente onerosas e sem sentido para suas novas realidades. Dessa forma, a documentação, a lógica e os procedimentos desatualizados resultam na deserção dos processos de cadastro e na exclusão de talentos que fariam toda a diferença para a empresa.


Da mesma forma, as condições propostas para o pagamento dos serviços prestados são, na sua maioria, inviáveis para quem não pode - e não deve - esperar 30, 60 ou mesmo 90 (!!!) dias pela remuneração do algo que já foi entregue e cujo processo de registro foi realizado com antecedência. Isso é literalmente equivalente a receber um produto e pagar a crédito. Isso faz sentido hoje em dia?


E quem perde com tudo isso? Todas as partes! Por um lado, a empresa não necessariamente contratará quem melhor atende às suas necessidades e objetivos, mas sim quem atenda às exigências burocráticas sem relação com o que precisa. Por outro, uma enorme reserva de talentos fica de fora do mercado e não pode fazer as contribuições para as quais é adequada. E, por fim, perde a sociedade, que não poderá se beneficiar tanto de serviços e produtos inovadores e adaptados à sua realidade, e famílias e comunidades que não receberão os benefícios econômicos gerados pela inserção econômica de seus membros qualificados.


É por essas razões que áreas geralmente estão fora da discussão sobre Inclusão e Diversidade nas empresas precisam urgentemente ser integradas a essas transformações, entendendo e assumindo seu papel fundamental, revendo suas práticas e valores.


E quais são algumas das ações que podem ser realizadas?

  • Conhecendo as características e necessidades dos fornecedores de grupos sub-representados, entendendo o que é realmente necessário e o que é supérfluo ou desatualizado em seus processos e sistemas de cadastro.

  • Promovendo a adaptação digital inclusiva, com linguagem e sistemas acessíveis - e isso inclui acessibilidade para pessoas com deficiência -, simplificando os processos e requisitos necessários para o cadastramento.

  • Contratando pessoas que pertençam a esses grupos sub-representados.

  • Oferecendo suporte especializado direcionado a esses tipos de provedores.

  • Realizando treinamento para as pessoas colaboradoras que oferecem o apoio direcionado.

  • Criação de um programa de inclusão de fornecedores pertencentes a esses grupos sub-representados.

Com esses compromissos e ações, as empresas poderão contribuir de forma muito mais ampla e efetiva para a revitalização da economia e a inclusão social dos diversos talentos disponíveis para além de seu quadro de servidores.


O surgimento de empresas mais humanizadas e com isto, mais bem avaliadas perante o mercado, faz com que se busque o caminho da equidade e no qual toda cadeia de valores possa ser entendida em suas demandas e potências. Quanto mais houver ganho recíproco e entendermos que somente vamos ter um resultado macro, verdadeiramente sólido e acima de nossos objetivos, quando potencializarmos o micro. Quanto mais inclusiva e diversa for a sua cadeia, mais VALOR ela terá.

Vamos começar conjuntamente este trabalho urgente e estratégico?



Maite Schneider e Keyllen Nieto


Cofundadoras da Integra Diversidade, Consultoria para Inclusão e Diversidade nas empresas e organizações; conformada por mulheres de diferentes nacionalidades, etnias, orientações sexuais, identidades de gênero, idades e trajetórias profissionais.

12 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo